15 de fev de 2010

ASSTTRA-MP e ASMPF preparam II Seminário Lei Maria da Penha: avaliação e perspectivas


Nos dias 02 e 03 de março a Associação dos Servidores Técnicos em Transporte e Segurança do Ministério Público da União, ASSTTRA e Associação dos Servidores do Ministério Público Federal, ASMPF, realizarão a segunda edição do Seminário Lei Maria da Penha: avaliação e perspectivas. O evento acontecerá no Auditório JK, na Procuradoria Geral da República e propõe-se a discutir violência contra mulheres e algumas especificidades, como a questão da mulher negra, mídia, direitos humanos e questão agrária no Brasil, sob a perspectiva de autoridades do governo e representantes de movimentos sociais. O principal objetivo é enfatizar a importância da criação da lei e traçar metas para alcançar o direito a uma vida livre da violência.

Entre as palestrantes estarão Aparecida Gonçalves, Subsecretária de Monitoramento e Ações Temáticas da Secretaria de Política para as Mulheres , Gilda Pereira de Carvalho, Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão, Laís Cerqueira, Promotora de Justiça do Núcleo Pró-Gênero/MPDFT, Tatiana Nascimento, da diretoria colegiada do Fórum de Mulheres Negras do DF, e Sandra Gomes de Melo, Delegada Titular da DEAM. O encerramento ficará por conta da cantora e compositora brasiliense Ellen Oléria, uma das principais promessas da música brasiliense contemporânea.

A Lei Maria da Penha foi sancionada em 2006 e cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Foi criada a partir da tragédia pessoal da senhora Maria da Penha, vítima de agressões que deixaram marcas profundas em sua alma e corpo e que a fez empenhar-se em uma verdadeira batalha para fazer justiça contra seu agressor.


As inscrições para participar do seminário poderão ser feitas no site www.esmpu.gov.br.

A primeira edição do seminário foi em 2009. Nos moldes do primeiro seminário, realizado em 9 de março de 2009, o evento é uma parceria com diversas entidades, entre elas a PFDC, DEAM/DF, MPDFT, CFEMEA, Fasubra, Sinait, Asmip, Andes, Fórum de Mulheres Negras do DF.

Para mais informações acesse: seminariomariadapenha.blogspot.com


SERVIÇO:
2° Seminário Lei Maria da Penha: avaliação e perspectivas.

Local:
Auditório JK - Procuradoria Geral da República - PGR
SAF Sul - Quadra 4 - Conjunto C - Lote 3 - Zona Civico Administrativa – Brasília/DF

Data:
Dias 2 e 3 de março, das 14 às 19h

Contatos:
Laércio Bernardes – Coordenador ASSTTRA-MP – 9998-0438 / 9298-7948
Paulo César – Secretário ASSTTRA-MP – 61-3322-054

Programação:


2 de março de 2010

14h - Abertura solene

Roberto Monteiro Gurgel – Procurador-geral da República
Aparecida Gonçalves - Subsecretária de Monitoramento e Ações Temáticas da Secretaria de Política para as Mulheres
Representantes das entidades realizadoras

14h30 - Painel 1 (Lei Maria da Penha: Avaliação e perspectivas)

Gilda Pereira de Carvalho – PFDC - Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão - Ministério Público Federal
Sandra Gomes de Melo – Delegada Titular da DEAM - Delegacia Especial de Atendimento à Mulher
Marlene Libardoni - Diretoria Executiva da AGENDE - Ações em Gênero, Cidadania e Desenvolvimento (a confirmar)

16h - Painel 2 - A mulher e a mídia

Cláudia Santiago – Coordenadora do Núcleo Piratininga de Comunicação/RJ
Mel Bleil Gallo – Estudante de Jornalismo / UnB
Ana Lúcia Amaral - Procuradora Regional da República na 3ª Região (SP)

17h30 - Painel 3 - A mulher e os direitos humanos

Érika Kokay – Deputada Distratal Vice-Presidente da Comissão de Direitos Humanos/CLDF
Jane Nascimento - Líder comunitária - Vila Autódromo - Rio de Janeiro
Maria Lúcia Fatorelli – Auditoria Cidadã da Dívida Pública
Janice Ascari - Procuradora Regional da República na 3ª Região (SP)

19h - Atividade cultural - Emília Monteiro

3 de março de 2010

13h30 - Exibição de curta metragem
Acorda Raimundo... Acorda - 20' - Direção: João Alfredo - Ibase

14h – Homenagem à Zilda Arns
Com a presença do senador da República Flávio Arns

14h30 - Painel 4 – Importância da educação para o fim da violência

Denise Botelho - Professora Adjunta da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB)
Solange Bretas – Secrataria Geral do Andes
Taís Schilling Ferraz – Conselheira do CNMP
Laís Cerqueira - Núcleo de Gênero Pró-Mulher do MPDFT

16h – Painel 5 - A mulher e as questões trabalhistas e agrárias no Brasil

Marina dos Santos - Coordenadora do MST
Rosângela Rassy – Presidente do Sinait
Sandra Cureau – Vice-procuradora-geral Eleitoral

17h30 – Painel 6 - A mulher negra e indígena no Brasil

Tatiana Nascimento – Fórum de Mulheres Negras do DF
Léia de Sousa Oliveira - Coordenadora-geral da Fasubra
Debora Duprat - Vice-procuradora-geral da República e coordenadora da 6ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF (Índios e Minorias)

19h - Atividade cultural - Ellen Oléria

11 de fev de 2010

Periferia pede passagem




Fonte: Jornal Radcal

Com poesia e palavras certeiras na cabeça, o rapper GOG solta o verbo para o Radcal.
Prestigie posições periféricas, pancadas poéticas, papo parabólico para povo pedindo passagem pelo pensamento precurssor. Proponho: passeie pela proposta preciosa: G-O-G! Prepadad@?

GOG é mc, poeta, correria, empresário, super politizado, incansável nas causas sociais. Cheio de projetos e planos, GOG trocou uma idéia especial com a gente aqui do Jornal Radcal. É ritmo e poesia na veia, se liga aí!

O que veio antes para o GOG? O rap ou a poesia?

A poesia. Ainda criança meus pais me apresentaram Cecília Meireles. Acho que esse contato foi o início da poesia. Meu despertar aconteceu nas primeiras letras, as pessoas ficavam impressionadas e na seqüência perguntavam: “quem escreveu isso?”.


Ter mãe professora influenciou no seu caminho ? Como foi a relação com a escola e com seus pais?

Minha mãe sempre foi muito rígida com o nosso estudo. Eu sempre tive facilidade no aprendizado, assimilava tudo rapidamente e era aluno destaque. Sempre fui aluno da escola pública. Nos anos de 1960, 1970 e início dos 1980, a qualidade do ensino era bem melhor por vários motivos, desde os salários dos professores, até o respeito e credibilidade que os mesmos contavam junto à sociedade. Creio que seja essencial resgatar esse espírito. O desafio é despertar em todos a importância da educação na formação social do ser humano.

O que o rap significa na vida do poeta?

O rap me resgatou de uma fábrica em série. Principalmente estando em Brasília: “Estude, forme-se, gradue-se, seja funcionário público ou abra um escritório”. Não que isso seja errado, mas percebo que contribuo muito mais promovendo "Convulsão Social", "Abalos sísmicos" em corações e mentes.

É isso que te inspira?

Sim. O mundo, o bem estar das pessoas, a superação dos desafios e a felicidade de poder cooperar positivamente para uma melhoria comum. Me sinto um instrumento dessa estratégia.

O que significa para você o título de poeta?

É uma grande responsabilidade, mas procuro encarar como um carinho, uma forma das pessoas me agradarem e demonstrarem respeito.

Você acha que o fato de ser considerado por todos como poeta, dentro e fora do rap, trouxe mais auto-estima para os jovens das Periferias?

Sim. Brasil com "P" é prova disso. Todo Periférico tem orgulho de dizer que alguém, igual a ele, que sempre estudou na Escola Pública, que vem de ascensão nordestina e é fruto da Afro-Diáspora, foi capaz de construir uma poesia só com a letra "p". Isso eleva a auto-estima e cria um pressuposto.


Você vai lançar um livro esse ano. Conta essa ótima novidade aí. Quando sai? Como nasceu a idéia? Já tem editora? Tá todo mundo cheio de curiosidade!

Pois é. Um livro em que falo de que forma concebi cada um dos meus discos. A necessidade surgiu quando percebi a grande quantidade de pessoas interessadas em ter acesso aos meus escritos. Foi muito bom relembrar, perceber o caminho trilhado. Na elaboração, contei com o apoio essencial e decisivo de Nelson Maca, professor de literatura da Universidade Católica de Salvador e membro fundador do Coletivo Blackitude-BA. O título do livro é A Rima denuncia e deve sair esse ano, pela Global Editora.

Qual o papel do rap enquanto lugar de fala da periferia? Os Racionais falam: "entrei pelo seu rádio tomei, cê nem viu". Como você vê essa responsa do rapper diante dos jovens das periferias?

Com o rap a periferia jamais será a mesma. Ele é o jornal do cotidiano e tem a linguagem do ouvinte. Só que não podemos cair na armadilha imediatista de reduzir suas matérias e temas a sangue e relatos descabidos, sem coerência. Muitos, ao longo dos anos perceberam isso, outros continuam trabalhando do jeito que o sistema quer. Informação, responsabilidade, amor, trabalho. Seguindo essas relações o hip hop é insuperável na sua didática.

Para onde caminhou o rap até agora? Onde ele vai parar?
Para ser a música do planeta, isso é inevitável. O desafio é manter-se na trincheira e ter a lembrança histórica de que a proposta maior é não repetir os erros e a ignorância do opressor.


A violência e a expansão das drogas parecem uma epidemia, principalmente nas áreas mais pobres. Ainda é possível brecar este processo? Como?

A única maneira de brecar o processo é uma grande reflexão sobre o papel do povo da periferia na manutenção dessa engrenagem. Quem vende , lucra, mas até que ponto? Quem consome, financia algo. O que, ou quem será? Não dá pra ficar reclamando da situação, sendo um financiador dela. Eu cito minha caminhada: não bebo, não fumo, nunca coloquei um cigarro de maconha na boca, muito menos química, e, mesmo assim, consegui meu destaque. Precisamos de exemplos de vitória, e que não sejam exceção, e sim regra.

Como você acha que deveria ser a escola para responder às necessidades e expectativas dos jovens da atualidade?

O primeiro ato seria a derrubada dos muros, pra que qualquer um pudesse entrar, sentar e assistir uma bela aula, ampliando seu conhecimento. Ou seja: escola para quem precisa, escola para quem precisa de escola. Não entendo, até hoje, porque um morador não pode pedir licença e assistir uma aula na qual tenha interesse. É a burocracia do sistema e aceitação das pessoas que tornam essa relação acabada, imutável. A escola particular surge como uma opção à pública, quando deveria ser um complemento. É um salve-se-quem-puder lamentável. O conteúdo didático deve ser complementado dia a dia com parte da vida do estudante, caso contrário não será atraente. É nesse ponto que as políticas públicas de ensino têm falhado, apesar de muitas vezes serem bem intencionadas.

Poeta, dá uma letra aí na galera Radcal.

A família tem total importância na nossa formação, parece óbvio, mas é bom reforçar. Leiam, criem uma estrutura, se superem todo dia e tomem cuidado com as armadilhas. Até a vitória!


Dicas de livro do GOG

Colecionador de Pedras - Sérgio Vaz
Capão Pecado - Ferréz
A Arte da Guerra - Sun Tzu
Gosto de África - Joel Rufino do Santos
Suburbano Convicto - Alessandro Buzo

Dicas de filmes

Zumbi Somos Nós - documentário dirigido pela Frente 3 de fevereiro em 2008, que discute o racismo na sociedade brasileira.

Além do Cidadão Kane – documentário de Simon Hartog produzido em 1993 pelo canal 4 da BBC, que discute o poder da rede Globo.


Cartão Postal Bomba

O DVD Cartão Postal Bomba já está nas lojas. GOG traz nova proposta de gravação, captação de som, apresentação e distribuição e uma lista extensa de participações especiais que envolvem nomes como Maria Rita, Lenine, Gerson King Combo, Paulo Diniz, Nego Dé, Ellen Oléria, Indiana Nomma, Rapadura, Mascoty, entre outros.
A banda é aquela que sempre acompanha o poeta: Angel Duarte (baixo e voz), Kiko Santana (violão e voz), Richelmy (percussão), Ted (teclados), Ariel Feitosa (guitarra e produção musical), Júnior (bateria) e Dj A nas pick ups.
Para adquirir acesse: www.gograpnacional.com.br . No site tem toda a agenda de shows do GOG e todas as novidades para 2009.

10 de fev de 2010

Grupo de dança começa primavera em fevereiro

Foto de Cícero Bezerra

O grupo brasiliense Margaridas abre 2010 com força máxima. Além de presentear a capital, mais uma vez, com o espetáculo “Perto do Coração Selvagem”, traz aos palcos duas iniciativas imperdíveis, por meio do projeto Margaridas Convida.

Margaridas convidou para o mesmo palco artistas com pesquisas em diferentes linguagens da dança. “Memórias de uma viva”, de Alexandre Nas, “Boa noite”, de Soraia Silva, e “Perto do Coração Selvagem”, do próprio grupo. Serão três espetáculos com dois finais de semana em cartaz no Sesc Garagem, Sesc Ceilândia e Sesi de Taguatinga. Melhor, dois deles com entrada franca.

“Memórias de uma imagem viva” é um experimento do cruzamento entre as linguagens de dança e vídeo. Surgiu a partir de laboratórios de pesquisa e improvisação acerca do tema origem, um dos pontos de investigação do “Teatro do Movimento”, método desenvolvido por Lenora Lobo em colaboração com os intérpretes-criadores da Cia Alaya Dança – Brasília – DF.

“Boa noite”, de Soraia Silva, é um experimento de “dansintermediações” que busca o encontro da dança, música, poesia e animação cenográfica na celebração das diferentes linguagens, tendo como foco central a construção expressiva da cena, a partir do poema “Boa Noite”, de Castro Alves.

“Perto do Coração Selvagem” é baseado em um trecho do romance homônimo de Clarice Lispector, que inspira uma epifania da força feminina em nós, seres humanos. Aborda o feminino como expressão na arte e na vida, acoplando, também, a fala de Virginia Woolf em "Um teto Todo Seu" e Simone de Beauvoir em “Segundo Sexo". Revela com feminilidade o ser assertivo, posicionado e questionador.

Também do grupo Margaridas, o espetáculo “Rainha” percorrerá, de 25 a 28 de fevereiro, cinco capitais brasileiras: Palmas, Goiânia, Campo Grande, João Pessoa e Recife. Em sua quarta montagem, a inspiração para “Rainha” vem de poemas de escritoras brasileiras e estrangeiras sobre a condição da mulher negra na atualidade. São diferentes olhares dessa realidade, tanto questões políticas e sociais, como também o lirismo encontrado em sua escrita.

"Após ler ‘O olho mais azul’ da estadunidense Toni Morrison (Prêmio Nobel de Literatura) fui picada pela curiosidade em saber sobre a identidade negra. Ao investigar junto com Cleani, descobrimos um campo vasto de criatividade e dor. Fizemos um recorte no qual se focalizaria os aspectos da mulher contemporânea negra”, explica a diretora do espetáculo, Laura Virgínia. O artista Édi Oliveira foi convidado para criar as coreografias da nova montagem, em conjunto com as intérpretes. "Preconceito, dignidade, orgulho, consciência, altivez, baixa-estima, medo, luta. Substantivos tão diversos e contrastantes, que me ajudaram a construir uma leitura sobre a realidade heterogênea da mulher negra no Brasil atual”, revela o coreógrafo.

Para elaboração do espetáculo, o elenco fez uma pesquisa literária durante seis meses e optou por usar poemas como base da criação. Os poemas foram usados tanto como inspiração para expressar o imaginário feminino negro, como também para compor a própria dança. A marginalização social, o preconceito racial, a sensualidade estereotipada, a ancestralidade negra, são algumas das questões observadas no discurso das escritoras. “RAINHA” transporta esse universo para o palco, com uma estrutura coreográfica que reflete um mosaico de palavras e movimento.

Dentre os textos selecionados para compor o espetáculo e inspirar suas cenas encontramos material das escritoras brasileiras: Carolina Maria de Jesus e Conceição Evaristo (Minas Gerais); Cristiane Sobral e Tatiana (Brasília); Elisa Lucinda (Espírito Santo); e Andréia Lisboa e Negra Li (São Paulo). Os poemas das artistas norte-americanas são de Toni Morrison (Ohio); Alice Walker (Geórgia); Audre Lord (New York) e Maya Angelou (Missouri). A trilha sonora reforça esse universo feminino negro utilizando as canções ‘Four women’ e ‘Images’ de Nina Simone; ‘Tarata’ interpretada por Clementina de Jesus; e ‘Ilu ayê’ na voz de Clara Nunes.

Margaridas convida tem patrocínio do Fundo da Arte e da Cultura – FAC e Margaridas Dança foi contemplado com o Prêmio Klauss Vianna da FUNARTE, com o espetáculo “Rainha”.


Arte Alexandre Nas



Ficha Técnica
Alexandre Nas – “Memórias de uma imagem viva”Concepção, assistência de direção, coreografia e interpretação:
Alexandre Nas
Direção geral: Lenora Lobo
Direção de Imagem: Alexandre Nas e Luciane Franco
Iluminação: Adriana Ortiz
Trilha Sonora: Bach e Henry Torgue
Figurino: Alexandre Nas


Foto:Ricardo Padue



Soraia Silva – “Boa Noite”Composição e Performance Musical: Eduardo Lopes
Performance Coreográfica e direção geral: Soraia Silva
Assistente de direção: Laura Virginia
Animação Cenográfica: Suzete Venturelli, Mário Maciel e Ronaldo Ribeiro da Silva
Luz:
Caco Tomazzoli
Som: Glauco Maciel
Figurino: Soraia Silva e Flávia Amadeu






Foto: Lana Guimarães

Margaridas Dança – “Perto do Coração Selvagem”
Direção e Coreografia: Laura Virgínia
Dançarinas: Cleani Marques e Laura Virgínia
Figurino: Andreia Patzsch
Iluminação: Marcelo Augusto
Voz em off: Juliana Zancanaro e Laura Virgínia
Trilha Original Composição e Execução: Marcus Lemos e Paulo Virgílio;
“Suoni per sei violinisti” de Barbara Kaszuba



SERVIÇO
Margaridas Convida:
18 de fevereiro, quinta, 21h
Teatro Newton Rossi, SESC Ceilândia, QNN 27, lote B, Ceilândia Norte
entrada gratuita
19 de fevereiro, sexta, 21h
Teatro Yara Amaral, Centro Cultural SESI, QNF 24 Área Especial - Taguatinga Norte – entrada gratuita
20 e 21, sábado, 21h e domingo 20h
Teatro SESC Garagem, W4, quadra 713/913, lote F
Inteira: R$ 16,00

9 de fev de 2010

Negritude e Cultura do Espetáculo


Texto de Nelson Maca, publicado no www.gramaticadaira.blogspot.com e dedicado à Griô


Minha vida concreta não tem dado grandes espaços às minhas virtualidades! Mas tô aqui, tá ligado? Um olho no passo, o outro na pausa; e os dois pés no chão da Bahia Preta, minha mãe gentil! Tô tentando refletir um pouco sobre os caminhos que tenho percorrido com meu parceiros "artivistas".

A cultura-espetáculo tem me cansado um pouco quando essencializada.

Em novembro último estive em Brasília. Eu e meu amigo GOG participamos de uma mesa redonda, debatendo "políticas culturais". Tive o prazer de conhecer uma menina muito massa: Jaqueline, chamada pelos seus de Jaque. Ela é da Griô Produções. Na apresentação que fiz por lá, procurei pensar a cultura de uma maneira mais política.

Parte das reflexões que fiz lá resolvi publicar aqui. Como disse, a cultura-espetáculo tem me stressado um pouco: é muito artista, muita arte e pouca rebeldia, pouca transformação!

Quero dedicar o texto abaixo a Jaqueline da Griô e a todos que não separam a arte do ativismo nem o ativismo da arte, mesmo que isso lhes impessa o sucesso midiático e interdite o ouro de tolo!


Negritude e Cultura do Espetáculo

(Nelson Maca – Novembro, 2009)


Estarmos, ainda hoje, falando em cultura negra e afins significa, antes de tudo, que, mesmo com quinhentos anos de colonização, escravismo, neo-colonização e neo-escravismo, eles não conseguem nos isolar.

Somos um povo forte, difícil de matar, como diz o Irmão KL Jay do Racionais MCs.

Ou então, como diz o meu Irmão GOG, “quanto mais de nós matam, mas nossa raça procria. E todo esse mal a gente assimila, transforma em poesia”.

O meu texto reveste as reflexões de um maloqueiro problemático que nasceu para ser dissidente, que cresceu para desafinar o coro dos contentes, e que vive não na margem, mas no centro do problema sócio-racial brasileiro. E é localizado neste contexto que vocês devem considerar tudo que escreverei aqui.

Não vim para agradar, pois, Exu que sou, vim dinamizar o conflito, não acomodá-lo.

Então, espero que todos entendam logo que o fato de trazer alguns problemas não quer dizer que eu tenha as respectivas soluções. Ser um problema já dá trabalho demais para mim. Mas sei que esse é o meu papel.

O meu Mestre Carlos Moore já me explicou qual é o meu lugar e o meu papel: o papel do artista e do intelectual é ser o guardião de sua comunidade. Enquanto outros vivem o cotidiano, nós sondamos, incessantemente, nossas contradições, para desmascará-las e chamarmos os irmãos ao seu combate.

O nosso lugar é o da liberdade. Isso determina tanto nossa reunião, voluntária ou não, quanto nossa dispersão, involuntária ou não.

Com isso, já adianto minha primeira “questão”: nenhum governo nem ninguém tem o direito de limitar o artista nem o pensador, transformando seus corpos e biografias em aparelhos de estado, ou sua produção estética e simbólica em pretexto para veiculação de ideologias oficiais.
.
Aqui entramos, literalmente, na traiçoeira e escorregadia discussão das “políticas culturais”.

Quando se trata de política para a cultura, o que tenho assistido, desde minha iniciação orgânica em trabalhos e produções culturais, é uma sistemática confusão entre cultura - livre e sem adjetivos - e ações e ideologias governamentais.

A cultura do estado muda conforme muda a política partidária da vez. Do apadrinhamento da indicação à proliferação dos editais públicos, muitos são os mecanismos de dissimulação do mesmo, ou seja, uma política cultural que atende apenas às demandas de segmentos específicos da população, com o respectivo apagamento das oposições várias que contradizem os modelos convencionais.

Cultura em liberdade supõe uma comunidade livre e pensante de si mesma. Um regime democrático só o é quando potencializa as diversidades dos grupos sociais que o compõem. Mas o que temos percebido, presenciado e projetado historicamente é o contrário: o apagamento das divergências!

Sempre que discutimos abertamente Políticas Culturais, invariavelmente, discutimos a Arte e seu Financiamento. Pouca gente que faz Arte - que eu conheça - se interessa em ampliar o debate para além desse redutor binômio material.

Sempre é a mesma questão: para onde devemos encaminhar os incentivos e recursos gerados ou intermediados pelo poder público?

E a coisa se torna tão calorosa que, invariavelmente, também no círculo dos gestores, mistura-se o público e o privado, gerando, inclusive, algumas polêmicas - logo abafadas! Muitas vezes projetos comerciais, economicamente viáveis e historicamente auto-sustentáveis, recorrem e são acolhidos nos programas governamentais.

Logicamente, o que mais se observa é o público potencializando o privado; nunca o inverso.

Chego, então, a minha segunda “questão”: a cultura é comumente compreendida e confundida com o espetáculo - inclusive quando parâmetro para avaliações institucionais.

O estado passa a ser o grande mecenas de artistas nacionais. Acho que seria redundante discutir aqui quem são esses artistas, o que faz com que eles mereçam tal mecenato e que contribuição sua arte dá para a formação de comunidade cidadã. Sabemos que esta arte agraciada tem idade, sexo, classe social, cor e raça, seguindo, estritamente, os paradigmas históricos em construção alinhada e sem ruptura ideológica e étnica desde o “achamento” do Brasil.

As ações culturais que fogem a essas determinações, se encaixam nas “demandas especiais” (dia disso... semana daquilo... mês daquilo outro...). Nunca são compreendidas como cotidianas e contínuas, ou seja, culturalmente dinâmicas.

Decorre que, enquanto espetáculo, a cultura é compreendida como obra de arte ou evento, sendo ajuizada e avaliada pelo seu produto final e pelo sucesso de sua inserção no mercado. A arte que não gera recurso direto ou que não se espande no seio de comunidade pode igualmente ser bem avalidada desde que represente o supra-sumo da cultura (oficial), com seu valor simbólico localizado. Admite-se também a arte chamada, de fora pra dentro, de popular ou então os produtos da “indústria cultural”.

Mesmo admitindo essa lógica, o problema é: como ficam os comportamentos e expressões que não se pautam ou não atingem o status de alta cultura, produto de indústria cultural, folclore “positivo” ou “contribuição” à cultura nacional?

Eu tenho encontrado este problema em minhas produções culturais quando não se pretende, necessariamente, o espetáculo ou a fruição da “peça de arte” em si. Do ponto de vista mais amplo e crítico da discussão, ou seja, construção e preservação da cidadania, em minha concepção de intervenção no processo cultural, tenho, na maior parte de minhas ações hoje, me pautado no processo e não no resultado do evento ou do produto.

O paradigma que me orienta enquanto "ativista produtor cultutral", implícita ou explicitamente, é a reconstrução da subjetividade negra – fragmentada no violento processo de transplante e encaixe nacional de nós: negros-africanos vivendo no Brasil.

Tenho dito que, “no afã de compreender e consertar o mundo, um jovem integrante do hip hop, por exemplo, é obrigado a se compreender e a se salvar primeiramente”.

A experiência do Hip Hop, vigorosamente presente e local, obriga o deslocamento do olhar do distante ou estranho para o próximo e ao lado. A “minha aldeia” passa a ser o centro do mundo e eu a razão da “minha vida”. Mas, ao mesmo tempo, esse mesmo jovem acessa o mundo inteiro da Lan House “da sua rua”, e tudo está ao seu alcance.

Nunca foi tão fácil ser “antropofágico”. Mas por opção, não por ignorância de si. Felizmente, os conceitos tradicionais de originalidade se diluem na era do youtube, do twiter e do sampler.

Permitam-me um poema pessoal, para retomar outro aspecto da dita cultura nacional e introduzir a minha terceira questão.

"havia lama na rua / de quando em quando / um corpo cadáver encalhado na vala / o espetáculo que a história oferece

restos e gestos do sim / alimentos recicláveis / bonecas sem pernas carros sem rodas / arqueólogo das sobras / as esmolas / o não

pretinho maltrapilho / com as manchas sujas da vida / sem saber nem por que / nas suturas das fraturas / cresci

eu na pilha / você na mira / não vê o que foi feito de mim

pena sangrenta / Gramática da Ira / meu rabisco mortal / vai foder tua lira"

(Gramática da Ira)

Na verdade, este meu poema quer falar do lado b das cidades, principalmente da minha cidade, a "terra da alegria" como diz o ditado estereotipado que nos determina tortuosamente. Mas meu lado b da cidade não está universalizado nem essencializado apenas pela miséria social. Meu lado b aparece também racializado. No caso específico de Salvador, tento desconstruir os mitos da alegria e da felicidade do “Sorria, você está na Bahia”.

Sabemos que, com as falácias da democracia racial e da ideologia do branqueamento, tentou-se apagar o conflito racial de nossa história.

Mas como diz aquele Chapolin Colorado: não contavam com nossa astúcia...

Não é?

Como bem demonstram Elza Soares, KL Jay e GOG: “somos duros na queda!”

Aqui chego à terceira “questão” deste texto: fica difícil para mim, negro ativista baiano, discutir cultura sem um certo sentimento de culpa, quando concidadãos conterrâneos meus, como a Vilma Reis, o Ricardo Andrade, o Liu Nzumbi e o Hamilton Borges Walê estão numa cruzada comovedora contra o extermínio da juventude negra da Bahia e do Brasil.

Que cultura esperar para nosso povo negro quando nossa principal luta ainda é para nos manter vivo? Ou melhor, não ser morto com a conivência do próprio estado que, quando não promove nosso extermínio, permite a matança do povo preto. Quando se luta cotidianamente contra a miséria, a fome, o analfabetismo, a discriminação e o racismo que parece aumentar a cada dia em nosso estado.

Aliás, aumentar não, tornar-se mais e mais visível. Isso acontece na medida que nos organizamos e mexemos em toda a merda dissimulada que convivemos desde sempre aqui neste nosso exílio chamado Brasil.

Mais do que propor estratégias e ações centradas e localizadas sobre a problemática das políticas culturais específicas e setorizadas ao povo negro brasileiro, minha proposição tem que ser central e transversal. Não se prender apenas aos ministérios, secretarias, setoriais ou qualquer outra pasta que tratam de uma “pseudo-cultura”, isolada e asséptica.

Nossa cultura tem que ser tratada como um caso de saúde pública, educação popular, economia solidária, saneamento básico e segurança coletiva. É preciso que o Estado brasileiro abandone essa vocação centenária de implantar e perpetuar, em seu próprio seio, a discriminação do povo preto e o extermínio da juventude negra.

Meu poema, antes de pleitear ser literatura, obra de arte para deleite e consumo - como querem as editoras comerciais - quer se alinhar à música do nigeriano Fela Kuti, buscando ser também minha arma contra a assimilação, contra a imposição de padrões etnocêntricos presentes no país desde seu longo e permanente processo de colonização.

A minha arte é, antes de tudo, um programa de lutas. Busco que sua verdade e vontade de beleza estejam diretamente ligadsa à sua necessidade bélica, ao seu engajamento social e à sua determinação da cor preta sem medo das retaliações das críticas especializadas da casa grande.

Fazer Belas Letras para mim representaria contaminar-me com os procedimentos artísticos hegemônicos e evasivos do colonizador estranho em detrimento de minha própria experiência acumulada, ainda que dolorosa, porém jamais cordial.

Seguir os delírios de equilíbrio e supremacia do "senhor" corresponderia a apagar magicamente as feridas históricas de meus antepassados que ainda tatuam dor no meu corpo. Reacendem minha revolta e não deixam que minha Ira seja dobrada pelas velhas pragas, agora ocultas nas miragens do Brasil atual.

É essa herança que procuro dramatizar nesse poema de "mau gosto". Ela é o amálgama de minha “Pena Sangrenta”; o sustentáculo de minha Gramática da Ira.

Minha quarta questão, que acredito ser o maior desafio de todo e qualquer intelectual, artista, produtor e ativista é: como fazer coabitar minha rebeldia e minha possível relação com o poder público, principalmente intermediada pelo dinheiro que, no fundo, é o único laço que nos pode aproximar?

No governo federal e em algumas administrações locais que se instalaram no Brasil da “abertura democrática”, temos assistido o alinhamento de militantes do movimento social negro com o poder central. A situação tem sido constrangedora para muitos, pois o que, na real, percebemos, é o engessamento de lideranças históricas e deslumbramento da juventude.

Como estar no poder e, ao mesmo tempo, contestá-lo é o problema que também o “movimento negro” enfrenta hoje.

E não têm sido confortáveis as experiências que conheço, pois as coalizões governamentais unem “lobos e cordeiros”, “escravos e feitores” em laços jamais imaginados em nosso idealismo essencial!

Tenho ventilado aos quatro cantos minha defesa de atitudes divergentes quando assim o contexto não apenas permite, mas exige.

Ao mesmo tempo, o Coletivo Blackitude: Vozes Negras da Bahia, que articulei e fundei há dez anos, e que atua efetivamente no cotidiano da cidade de Salvador, encontra-se exatamente nesta encruzilhada: arte, ativismo ou trabalho e renda? Instituir-se nos moldes tradicionais, ou não? Negociar e levar nossa experiência a muitos ou permanecer no espaço centrado das experiências radicais do underground? Também, culturalmente, habitamos o problema.

Na realidade, esses conflitos que a Blackitude vive refletem exatamente as contradições que representam nossas políticas culturais: uma negociação interessada sem lugar para a espontaneidade, a divergência e transgressão. Permanecem as eternas comissões oficiais que julgam o que vale, o que é e o que não é arte de interesse público; o que vale ou não o apoio oficial.

Os editais, de forma geral, me entediam, assim como as indicações dos governos e os tráficos de influência. Aliás, a Bahia é mestre nessas modalidades todas.

Sinto-me traído pelos editais que pedem para nós (artistas, ativistas e produtores orgânicos, que nos formamos no campo de batalha do cotidiano) que levantemos custos de sanitários químicos, ou então que preenchamos planilhas que são verdadeiras florestas de linhas, quadrados e números. Dizem, nos workshops oficiais, que bom projeto é sinônimo de projeto bem escrito; que um portifólio justificado fala mais alto que a própria arte; que reconhecimento público da atuação na vida na cultura da cidade não pesa nas decisões.

Como era antes não podia ficar, mas também não concordo com a simples inversão camuflada com o discurso enganoso da democratização, muito menos do paternalismo.

Outro dia, ouvindo o Irmão Edson Cardoso debater sobre “violência” em Salvador, no "Encontro Popular pela Vida e por uma Nova Segurança Pública", fortaleci minha convicção de que a necessidade de uma sistematização do discurso acerca do enfrentamento é tão óbvia que não percebemos.

Ele mostrou objetivamente que não se pode enfrentar a violência sem compreendê-la histórica e culturalmente; sem abordar sua origem, sua dinâmica, seus elementos de permissividade e complacência, sua lógica operacional, sua concretude (a face visível) e sua dissimulação...

Entendi assim o que dizia o Irmão: o simples enfrentamento entre a justiça e a infração, a polícia e o delinqüente, gera sempre um circulo vicioso de agressão e respectiva vingança contínua e vice-versa. Também a atitude pontual e destemida dos militantes mais diretamente envolvidos nessa frente pode resultar inócua se não se enfrenta as raízes e os alicerces do problema. Ou então podem se tornar, potencialmente, vítimas de vingança ou silenciamento.

Nesse sentido, de minha parte, concluo que não temos um pensamento efetivo e profundo sobre a questão da violência, principalmente aquelas toleradas e até mesmo respaldadas pelo imaginário social e endossadas pela opinião pública; praticadas pelas instituições e legitimadas por políticas arbitrárias.

Enfim, aceito, mais do que nunca, a lógica que, para enfrentarmos estruturalmente a violência, precisamos compreender os mecanismos que engendram e perpetuam nossa "cultura da violência", principalmente sobre as minorias fora do poder. Na verdade, precisamos aprender a desarmar estas minas, armadilhas enrustidas que nos mutilam cotidianamente!

Quero adaptar aqui essa reflexão importantíssima do Edson Cardoso, para chamar a atenção de todos, embora pareça dispensável a esta altura da história, para o fato de que precisamos sistematizar nosso discurso sobre os possíveis conceitos e materializações que podem dar conta do que é e como se articula a tal cultura nacional. Na verdade, culturas - no plural.

A partir daí, sim, questionar as práticas convencionais tradicionais, pensar em como estabelecer políticas que não entravem nem supervalorizem seus processos.

Nessa discussão me parece igualmente incontestável o fato de se pensar ser tão óbvia a cultura negra do país que se promove seu apagamento objetivo. Por isso não temos concebido políticas coletivas efetivas, a não ser quando confundidas com arte ou evento, ou então fruto de algum protecionismo qualquer.

Também aqui, o discurso da cultura deve converger com o da história, apontando-nos a urgência de se questionar sua origem, sua dinâmica e sua lógica operacional.

Para nós, negros intelectuais, artistas e ativistas, por exemplo, pensar e tratar a cultura no bojo de nossa realidade é mais que política, esteticismo ou academismo: é uma questão de sobrevivência, concreta e simbolicamente falando.

Preservação Física e Espiritual.

Axé!

8 de fev de 2010

Mulheres ocupam TV no 08 de março



Na tarde do dia 08 de março várias mulheres ocuparão a TV Comunitária do DF. O convite partiu direção da tv. Profissionais de diversas áreas, donas de casa, jornalistas, artistas, produtoras, ativistas e muitas outras companheiras vão colorir e aprofundar diversos temas no Dia Internacional da Mulher.

Produção e entrevistas ficarão por conta da Griô Produções, que já apresenta às sextas-feiras o programa Latinidades, dedicado à cadeia produtiva da cultura independente.

Como a Griô é uma produtora formada por mulheres, o convite da direção da TV foi aceito de imediato. O resultado você poderá conferir no dia 08 de março, das 14h às 18h, no canal 8 da net ou no site WWW.tvcomunitariadodf.com.br

Interessadas em participar podem enviar e-mail para grioproducoes@gmail.com
 

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